Irritam-me as tuas palavras monocórdicas mortas e miseráveis, arrastadas pelos cantos de uma casa por onde nunca ninguém quer passar. Irritam-me as tuas palavras escritas a sussurrar e desprovidas de olhos nos quais eu possa olhar - e ter mais um bocadinho de certezas. Irritam-me as tuas palavras esvoaçantes leves e inúteis que o vento fez mudar de rumo antes de me roçarem a pele. (Não que eu quisesse que me roçassem a pele essas tristes tão tristes gotas de nada que escorrem do teu rosto a sorrir, quando me pedes para não te deixar.) Irritam-me as tuas palavras que me pedem para não te deixar, e irritam-me todas as outras não-palavras - porque não são dirigidas a mim - que pedem igualmente, mas aos outros, para ficar. Irritam-me as tuas palavras iguais tão iguais a toda a banalidade do mundo. Irritam-me as tuas palavras fáceis decoráveis e escritas num qualquer banco de jardim com chaves que abrem coisas triviais como casas.
Quero, ao invés, palavras difíceis que enrolam a língua e a elas trazem atrelados sentimentos difíceis demais para repousarem num jardim. Quero-as articuladas devagar, como uma vela que arde à noite e sopra desenhos de fumo sem fim. Irritas-me tu, porque as tuas palavras não são minhas, e nem sequer são assim.
de mais uma tua
#29 letter to the person you want to tell everything to,
but you're too afraid to